Desenho a bico de pena em preto e branco, apresentado em formato retangular. A composição representa vista das margens do Rio Guaíba a partir do lado oposto da cidade de Porto Alegre. Em primeiro plano, faixa de areia com vegetação esparsa, onde se encontram figura humana voltada para o corpo d’água e outra figura humana conduzindo dois animais, um deles montado e em contato com a água. Próximo à margem, presença de pequena embarcação com figura humana, enquanto outras embarcações de maior porte distribuem-se no plano intermediário. Ao fundo, linha de horizonte definida pela silhueta urbana, com edificações e destaque para torres de igrejas, correspondentes à Capela da Santa Casa e à Igreja das Dores, elementos recorrentes na representação da paisagem histórica da cidade. Céu tratado por hachuras, com nuvens densas, reforçando os efeitos de profundidade e atmosfera.
Joseph Franz Seraph Lutzenberger, também conhecido como José Lutzenberger (1882–1951), foi engenheiro-arquiteto, artista e professor teuto-brasileiro. Formado em Munique, emigrou para Porto Alegre em 1920, onde atuou na arquitetura e no ensino no Instituto de Belas Artes. Paralelamente, produziu desenhos e aquarelas com cenas urbanas, rurais e tipos humanos. Sua produção registra o cotidiano e os costumes locais, contribuindo para a construção de uma visualidade regional e para a consolidação do ensino artístico no Rio Grande do Sul. É pai do ambientalista José Lutzenberger, também atuante no estado.
Informações adicionais
O desenho insere-se na Série Porto Alegre de Ontem, que reúne desenhos e aquarelas voltados ao registro de cenas urbanas, articulando paisagem, figuras humanas e cotidiano, no contexto das transformações urbanas e sociais de Porto Alegre nas primeiras décadas do século XX, com caráter de documentação visual.
Condição de reprodução
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