Três cordões de fibra vegetal torcida com sementes marrom-escuro. Unindo as três enfiadas há cascos de animal, dentes curvos e pontiagudos, endocarpo de frutos, duas moedas do Império (1863), duas argolas de metal, fivela, botão e outros fragmentos.
Colar composto por cordões de fibras vegetais, sementes, dentes de animais, moedas, argolas e outros elementos metálicos, associado ao povo Xokleng/Laklãnõ. A comparação com exemplares preservados no Museu Paranaense, coletados na Terra Indígena Rio dos Pardos, em 1928, e identificados como Xokleng/Laklãnõ, demonstra forte semelhança na composição dos materiais, na organização dos pingentes e no uso combinado de adornos naturais e manufaturados. A documentação analisada não confirma relação entre esta peça e os colares adquiridos pelo Museu de História Julio de Castilhos por meio da Coleção Barbedo, em 1905, indicando uma trajetória distinta de incorporação ao acervo. O objeto insere-se no contexto histórico de ocupação e resistência dos Xokleng/Laklãnõ nas encostas da Serra Geral, região profundamente afetada pela expansão da colonização durante o século XIX e início do XX. A incorporação de moedas, botões, argolas e outros elementos de origem não indígena constitui importante evidência das relações de contato, conflito e apropriação cultural desenvolvidas por esses grupos, fenômeno também observado em outros aspectos de sua cultura material.
Pesquisa realizada pelo servidor Guilherme Maffei Brandalise em 2025.
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